GRÁVIDA APÓS CURETAGEM RELATA MAIS DE UM MÊS SEM CONSULTA DE ALTO RISCO NO HOSPITAL ESTADUAL DE SUMARÉ

Mulher de 40 anos está com 35 semanas de gestação e afirma que consultas vêm sendo desmarcadas; em ligação gravada, atendente diz não haver agenda disponível. Hospital informa que apura atendimento por meio de sindicância e afirma que paciente segue acompanhada
Um caso que já chama atenção pelas circunstâncias da própria gestação ganha agora um novo capítulo envolvendo a assistência prestada à paciente.
Uma mulher de 40 anos, atualmente com 35 semanas de gravidez, afirma estar enfrentando dificuldades para conseguir atendimento no pré-natal de alto risco do Hospital Estadual de Sumaré (HES). Segundo seu relato, consultas teriam sido sucessivamente desmarcadas e ela estaria há mais de um mês sem passar por atendimento médico na unidade.
A situação ganha ainda mais relevância porque a paciente afirma que a gravidez prosseguiu mesmo após ela ter sido submetida a uma curetagem uterina em fevereiro, procedimento realizado depois de exames apontarem uma gestação não evolutiva.
O Hospital Estadual de Sumaré informou que uma sindicância está em andamento para apurar a conduta da equipe envolvida no atendimento.
NÃO TEM AGENDA: PACIENTE GRAVOU LIGAÇÃO
Em uma ligação gravada pela própria paciente, uma atendente informa que não havia agenda disponível para a consulta e que uma tentativa de encaixe somente poderia ser verificada na semana seguinte.
Durante a conversa, a gestante relata que os atendimentos vinham sendo desmarcados e afirma estar há mais de um mês sem consulta.
O áudio passa a ser um elemento importante para compreender a reclamação: além da discussão sobre o procedimento realizado no início da gravidez, surge agora uma questão relacionada à continuidade do acompanhamento de uma gestação classificada como de alto risco.
CURETAGEM FOI REALIZADA EM 25 DE FEVEREIRO
Segundo a paciente, tudo começou depois que exames realizados em uma clínica particular e posteriormente no próprio Hospital Estadual de Sumaré indicaram uma gestação não evolutiva, com hipótese de gestação anembrionada.
Diante desse diagnóstico, ela foi submetida a uma curetagem uterina em 25 de fevereiro.
A paciente recebeu alta, mas posteriormente começou a sentir dores e procurou atendimento em uma maternidade de Campinas.
Foi então que aconteceu o inesperado.
ULTRASSOM IDENTIFICOU BATIMENTOS CARDÍACOS
Em 16 de março, uma ultrassonografia realizada após a procura por novo atendimento identificou atividade cardíaca embrionária e apontou uma gestação de aproximadamente sete semanas e três dias.
Ou seja, apesar do procedimento realizado semanas antes, havia uma gestação em evolução.
A mulher afirma que, desde então, não recebeu uma explicação conclusiva sobre o que teria ocorrido durante a curetagem.
É importante destacar que a existência de uma gestação após o procedimento, isoladamente, não permite estabelecer erro médico ou determinar sua causa. A análise depende dos prontuários, exames realizados antes e depois do procedimento, técnica empregada e avaliação especializada. É justamente nesse contexto que a sindicância anunciada pelo hospital se torna relevante.
AGORA, PREOCUPAÇÃO É COM O PRÉ-NATAL DE ALTO RISCO
A paciente chegou às 35 semanas de gestação, mas relata que os problemas com a assistência não terminaram.
Segundo ela, consultas do pré-natal de alto risco teriam sido canceladas ou remarcadas sucessivamente, resultando em um período superior a um mês sem atendimento médico.
A combinação das circunstâncias levanta questões que precisam ser esclarecidas: quantas consultas foram efetivamente agendadas e posteriormente canceladas? Por quais motivos? Quais avaliações e exames foram realizados durante esse intervalo? E qual protocolo de acompanhamento foi estabelecido diante do histórico dessa gestação?
HOSPITAL ABRIU SINDICÂNCIA
Procurado sobre o caso, o Hospital Estadual de Sumaré informou que uma sindicância está em andamento para apurar a conduta da equipe envolvida no atendimento.
A abertura da apuração administrativa não significa, por si só, reconhecimento de erro ou responsabilidade. A finalidade é justamente esclarecer os fatos e avaliar os procedimentos adotados.
Sobre a assistência atual, o hospital afirmou que a paciente permanece em acompanhamento pré-natal e informou que ela possui consulta marcada para a próxima quarta-feira.
A afirmação da unidade sobre a continuidade do acompanhamento contrasta com a reclamação da paciente de que estaria há mais de um mês sem consulta, ponto que poderá ser esclarecido pela análise do histórico de agendamentos e atendimentos.
HÁ PERGUNTAS QUE A SINDICÂNCIA PRECISA RESPONDER
O caso envolve dois momentos distintos que merecem apuração: o diagnóstico e a curetagem realizados no início da gestação e, posteriormente, a assistência oferecida durante o pré-natal de alto risco.
Entre os pontos que precisam ser esclarecidos estão o diagnóstico que fundamentou a indicação da curetagem; os exames utilizados para confirmá-lo; o que efetivamente ocorreu durante o procedimento; como uma gestação evolutiva foi identificada posteriormente; quais riscos adicionais foram considerados após o episódio; e por que uma gestante de alto risco relata sucessivos cancelamentos e um intervalo superior a um mês sem consulta.
A conclusão sobre eventual falha médica ou assistencial somente poderá ser feita após a análise técnica dos documentos e da sindicância.
O Portal Auge1 mantém espaço aberto ao Hospital Estadual de Sumaré e à paciente para novas informações e para a atualização do caso, inclusive após a conclusão da investigação interna.
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Fonte: relato da paciente, gravação da ligação de atendimento e nota do Hospital Estadual de Sumaré.
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