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TARCÍSIO FALTA A DEBATE, MAS HADDAD GANHOU VANTAGEM? SABATINA DE 30 MINUTOS TAMBÉM EXPÔS PETISTA A TEMAS INCÔMODOS

AUGE01
21 de Setembro de 2026 às 21:50
4 min de leitura
TARCÍSIO FALTA A DEBATE, MAS HADDAD GANHOU VANTAGEM? SABATINA DE 30 MINUTOS TAMBÉM EXPÔS PETISTA A TEMAS INCÔMODOS

Ausência do governador impediu confronto direto entre os dois principais candidatos, mas deixou Fernando Haddad sozinho diante das perguntas da Record; episódio mostra que sabatina sem adversário não significa necessariamente terreno livre

A ausência de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no debate da Record nesta segunda-feira (21) provocou críticas de Fernando Haddad (PT) e transformou o encontro que seria um confronto entre os dois principais candidatos ao Governo de São Paulo em uma sabatina de 30 minutos com o petista.

A Record manteve no cenário o púlpito destinado ao governador. Pelas regras previamente acertadas, diante da ausência de um dos convidados, o candidato presente seria entrevistado individualmente.

Haddad aproveitou a situação para criticar o adversário. Para ele, a ausência impediu o eleitor de confrontar diretamente os diagnósticos e propostas dos dois candidatos e representaria desrespeito ao eleitor. Essa é, porém, a avaliação política do candidato petista, e não uma conclusão objetiva sobre os efeitos eleitorais da decisão de Tarcísio.

MAS A AUSÊNCIA DE TARCÍSIO FOI NECESSARIAMENTE UMA VANTAGEM PARA HADDAD?

Não é possível afirmar isso apenas pelo formato do programa.

Haddad ganhou 30 minutos de exposição exclusiva na Record, sem precisar dividir o tempo com seu principal adversário. Isso lhe permitiu apresentar propostas, criticar a atual administração e falar diretamente ao eleitor.

Por outro lado, perdeu aquilo que ele próprio dizia desejar: a possibilidade de questionar diretamente Tarcísio e confrontar o governador sobre quatro anos de administração estadual.

E existe outro lado importante.

Sem Tarcísio no estúdio, a entrevista deixou de ser uma disputa entre candidatos e passou a concentrar as perguntas exclusivamente em Haddad.

A própria Record registra que o candidato respondeu sobre combate à corrupção, presença do crime organizado no poder público, concessões e privatizações, além de revisitar aspectos de sua passagem pela Prefeitura de São Paulo.

Portanto, o púlpito vazio ofereceu espaço político a Haddad, mas também retirou dele a possibilidade de transferir a pressão do programa para o adversário.

HADDAD QUESTIONOU CONTRATOS DA GESTÃO TARCÍSIO

Durante a entrevista, Haddad voltou a defender mudanças em políticas implementadas pela atual administração estadual.

O candidato criticou o modelo de concessões no transporte sobre trilhos e se posicionou contra a privatização de linhas públicas. Também tem defendido a revisão de contratos associados à atual política estadual de concessões.

Essas posições criariam justamente alguns dos principais pontos de confronto caso Tarcísio estivesse presente.

Uma comparação recente dos programas dos dois candidatos encontrou diferenças, mas também semelhanças em propostas de segurança, saúde, transporte, educação e políticas para mulheres.

TARCÍSIO: DEBATES VIRARAM MAIS DO MESMO

Tarcísio justificou a decisão de não participar afirmando que o formato dos debates precisa ser revisto e que os encontros teriam se tornado repetitivos.

A campanha também já havia alegado dificuldades para conciliar compromissos de governo e campanha. Nesta segunda, o governador participou de outra agenda eleitoral relacionada à formação profissional de jovens.

A decisão, portanto, produz consequências diferentes para cada candidato: Tarcísio evita a exposição e o confronto direto; Haddad recebe mais tempo de televisão, mas também concentra sobre si todas as perguntas da sabatina.

PESQUISA MOSTRA 53% A 38%

A discussão ocorre em um momento importante da campanha.

Pesquisa Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (21), aponta Tarcísio com 53% das intenções de voto no cenário estimulado de primeiro turno e Haddad com 38%.

Os demais candidatos somam 1%; brancos e nulos, 5%; e 3% não souberam ou não responderam.

Foram entrevistados 2.000 eleitores paulistas entre 16 e 19 de setembro, por telefone e internet. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número SP-07495/2026.

Vale ainda uma correção na interpretação dos números: os 53% divulgados são intenções de voto no cenário estimulado, e não uma declaração de que Tarcísio venceria com 53%. Pesquisa é uma fotografia daquele levantamento, não resultado eleitoral.

QUEM GANHOU COM O PÚLPITO VAZIO?

Essa resposta não pode ser extraída apenas do fato de um candidato ter comparecido e outro não.

Haddad teve uma vitrine exclusiva de 30 minutos e espaço para criticar o governo. Ao mesmo tempo, teve de responder sozinho às perguntas e não conseguiu confrontar Tarcísio diretamente.

Tarcísio evitou esse confronto e as perguntas que receberia no estúdio, mas sua ausência também passou a integrar o debate político, sendo explorada pelo adversário.

Para o eleitor, porém, houve uma consequência objetiva: não aconteceu a comparação direta entre os dois principais candidatos que o debate originalmente pretendia proporcionar.

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Fonte: Record/R7; Real Time Big Data; UOL; Folha de S.Paulo.

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