TARCÍSIO E HADDAD NACIONALIZAM ÚLTIMO DEBATE EM SP E TROCAM ACUSAÇÕES SOBRE SEGURANÇA, SAÚDE E ALIANÇAS

Último confronto antes do primeiro turno colocou frente a frente os candidatos ao Governo de São Paulo; PCC, Comando Vermelho, Milton Leite, saúde, educação, privatizações e os governos Lula e Bolsonaro dominaram parte das discussões
O último debate antes do primeiro turno para o Governo de São Paulo foi marcado por confrontos entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) e por uma forte presença de temas da política nacional.
Realizado pela TV Globo na noite desta terça-feira (29), o encontro ocorreu nos estúdios da emissora no Brooklin, zona sul da capital paulista. Ao longo de quatro blocos, os candidatos discutiram segurança pública, saúde, contas públicas, educação, transporte, privatizações e políticas sociais, recorrendo também aos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) para defender ou questionar resultados administrativos.
SEGURANÇA ABRIU O CONFRONTO
Haddad iniciou o debate abordando a segurança pública na região de Piracicaba e questionou Tarcísio sobre informações relativas à presença do Comando Vermelho no interior e no litoral paulista.
Antes, o petista ironizou a participação do governador em poucos debates durante a campanha.
Tarcísio respondeu destacando operações contra organizações criminosas, concursos para reforçar as forças de segurança e indicadores que, segundo ele, apresentaram melhora durante sua administração. Sobre os criminosos citados na região de Piracicaba, afirmou que estavam presos em razão da atuação policial.
Haddad contrapôs mencionando feminicídios e questionando as condições das forças policiais. Tarcísio reconheceu que ainda existem problemas a enfrentar, mas sustentou que sua administração tem adotado medidas para fortalecer as corporações.
MILTON LEITE E SUPOSTAS LIGAÇÕES COM O CRIME ORGANIZADO ENTRAM NO DEBATE
O confronto avançou para as relações políticas dos candidatos.
Haddad mencionou a aproximação eleitoral de Tarcísio com familiares do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso em investigação que apura suposta infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo da capital.
Tarcísio respondeu que sua relação com a família Leite sempre foi institucional. Na sequência, rebateu mencionando pessoas ligadas ao campo político do adversário e investigações envolvendo o crime organizado.
As acusações feitas durante o debate representam argumentos dos próprios candidatos e não devem ser confundidas, por si só, com conclusões judiciais sobre responsabilidade de terceiros.
FILAS, CIRURGIAS E PANDEMIA COLOCAM SAÚDE NO CENTRO
A saúde também provocou confronto.
Haddad criticou as filas do SUS e a gestão estadual, defendendo mudanças na regulação e mencionando o represamento de procedimentos ocorrido durante a pandemia.
Tarcísio respondeu citando ampliação de leitos, hospitais e iniciativas destinadas à realização de cirurgias eletivas. O governador também questionou o desempenho da administração de Haddad quando ele comandou a Prefeitura de São Paulo.
A partir daí, a discussão estadual passou repetidamente para o cenário nacional.
Haddad associou problemas da saúde à gestão federal durante o governo Bolsonaro, enquanto Tarcísio passou a confrontar resultados e políticas do atual governo Lula.
LULA E BOLSONARO ENTRAM NA DISPUTA PELO PALÁCIO DOS BANDEIRANTES
Embora o cargo em disputa fosse o de governador, a política nacional atravessou diversos momentos do debate.
Os candidatos recorreram às administrações Lula e Bolsonaro para discutir responsabilidade fiscal, emprego, investimentos públicos e consequências da pandemia.
A nacionalização também apareceu nas considerações finais, quando os candidatos reafirmaram seus respectivos alinhamentos políticos nacionais.
PRIVATIZAÇÕES E TRANSPORTE GERAM NOVO EMBATE
No transporte, Tarcísio destacou obras de expansão do sistema metroferroviário e projetos desenvolvidos durante sua gestão.
Haddad argumentou que parte das obras possui histórico anterior ao atual governo e mencionou recursos federais. Também criticou as privatizações promovidas pela administração estadual e defendeu maior integração tarifária.
Tarcísio defendeu as concessões como instrumento para ampliar investimentos e melhorar os serviços.
EDUCAÇÃO: CANDIDATOS DISPUTAM DADOS E RESULTADOS
Na educação, Haddad questionou indicadores de alfabetização e o desempenho educacional paulista.
Tarcísio respondeu mencionando o reconhecimento concedido pelo Ministério da Educação dentro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, além de políticas estaduais de alfabetização e ensino técnico.
A discussão também envolveu o Ideb, ensino médio, evasão escolar e resultados das administrações anteriores dos dois candidatos.
Uma checagem publicada posteriormente pela Folha apontou imprecisões e omissões em afirmações de ambos os candidatos durante o debate, envolvendo temas como Sabesp, situação fiscal estadual, poluição do Tietê e indicadores educacionais.
ÚLTIMO ENCONTRO ANTES DAS URNAS
O debate da Globo foi o último confronto televisivo entre os candidatos antes do primeiro turno, marcado para domingo, 4 de outubro.
Mais do que apresentar propostas estaduais, o encontro evidenciou uma estratégia presente durante boa parte da campanha: relacionar a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes ao cenário político nacional.
Para o eleitor, além das acusações feitas frente a frente, permanece a tarefa de confrontar as declarações dos candidatos com dados oficiais, propostas registradas e resultados administrativos verificáveis antes da votação.
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Fonte: debate da TV Globo de 29 de setembro de 2026; CNN Brasil e Folha de S.Paulo.
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