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REUNIÃO DO GOVERNO SOBRE FIM DAS BETS PODE TER AUSÊNCIA DE GRANDES CLUBES DO RIO E DE SÃO PAULO

AUGE01
28 de Setembro de 2026 às 23:57
5 min de leitura
REUNIÃO DO GOVERNO SOBRE FIM DAS BETS PODE TER AUSÊNCIA DE GRANDES CLUBES DO RIO E DE SÃO PAULO

Encontro está marcado para esta terça-feira (29), em Brasília, para discutir impacto financeiro da proibição das apostas; governo afirma que ainda não decidiu sobre eventual socorro aos times

A reunião convocada pelo governo federal para discutir os impactos da proibição das bets sobre o futebol brasileiro pode ocorrer sem a presença de parte dos principais clubes do país.

Segundo informação publicada por O Globo, os oito grandes clubes do eixo Rio-São Paulo indicavam que não enviariam representantes ao encontro desta terça-feira (29). O Cruzeiro, de Minas Gerais, também estaria entre as equipes que não pretendem comparecer.

O encontro foi marcado para o Palácio do Planalto, em Brasília, e deverá reunir integrantes de diferentes áreas do governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deve participar. O ge confirmou a convocação de clubes e federações e informou que representantes do primeiro escalão do governo estarão presentes.

GRANDES CLUBES INDICAM AUSÊNCIA

Caso as ausências antecipadas se confirmem, a reunião poderá ocorrer sem representantes dos quatro grandes clubes paulistas e dos quatro grandes do Rio de Janeiro.

A decisão chama atenção porque justamente os efeitos econômicos sobre os clubes estão entre os principais pontos que o governo pretende dimensionar após determinar o encerramento das atividades das empresas de apostas no país.

A informação sobre uma possível motivação política para as ausências, contudo, deve ser tratada como avaliação de bastidores atribuída a dirigentes, e não como fato comprovado. O contexto eleitoral torna o encontro politicamente sensível, mas cada clube pode ter suas próprias razões para participar ou não.

CLUBES PERDERÃO UMA IMPORTANTE FONTE DE PATROCÍNIO

O tamanho da discussão pode ser medido pelos valores envolvidos.

Segundo dados citados pelo UOL, as empresas de apostas destinaram aproximadamente R$ 1,14 bilhão aos clubes da Série A em 2025, correspondendo a cerca de 7,9% das receitas totais das equipes.

A dependência, entretanto, não é igual para todos os clubes.

É justamente essa diferença que o Ministério da Fazenda afirma querer compreender antes de discutir qualquer medida compensatória.

CLUBES JÁ DISCUTIAM LINHA DE CRÉDITO

Existe ainda outro elemento importante: as conversas entre clubes e governo sobre ajuda financeira não começaram somente depois da proibição das bets.

Antes da decisão, equipes das Séries A e B já discutiam com o governo uma possível linha de crédito, com participação da CBF nas articulações. Entre as propostas debatidas estava financiamento pelo BNDES, com juros inferiores aos encontrados no mercado e recursos destinados ao pagamento de dívidas.

A possível proibição das bets aparecia naquele momento como um fator capaz de agravar a situação financeira dos clubes.

Portanto, são duas questões relacionadas, mas que não devem ser confundidas: a situação de endividamento estrutural do futebol brasileiro e a perda recente das receitas provenientes das empresas de apostas.

FAZENDA: NÃO HÁ SOCORRO IMEDIATO DEFINIDO

Na sexta-feira (25), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo pretende primeiro ouvir clubes e entidades esportivas e calcular o impacto da proibição.

Segundo Durigan, não existe, neste momento, previsão de socorro financeiro imediato.

O ministro afirmou que qualquer eventual medida será avaliada somente depois que o governo compreender o tamanho da dependência financeira do futebol em relação aos contratos com as casas de apostas.

Isso significa que, até agora, não há anúncio oficial de indenização, compensação ou transferência direta de dinheiro público aos clubes pela perda dos patrocínios.

LINHA DE CRÉDITO ESTÁ ENTRE OS ASSUNTOS EM DISCUSSÃO

Apesar disso, uma possível linha de crédito para os clubes deverá estar entre os temas debatidos na reunião desta terça-feira.

Segundo o ge, dirigentes já vinham buscando uma alternativa desse tipo junto ao governo federal. Valores, critérios, condições e eventual participação do BNDES ainda não estavam definidos.

Esse ponto é importante porque linha de crédito não significa necessariamente repasse de dinheiro sem devolução: dependendo do modelo eventualmente adotado, seriam empréstimos sujeitos a pagamento, juros e condições específicas.

GOVERNO JUSTIFICA PROIBIÇÃO PELOS IMPACTOS SOCIAIS

Ao anunciar a medida contra as bets, o governo afirmou ter considerado diferentes alternativas, incluindo restrições apenas a determinados tipos de jogos virtuais.

Segundo Durigan, prevaleceu a avaliação de que seria necessária uma medida mais abrangente devido às consequências sociais associadas às apostas.

A medida determinou também a retirada da publicidade das empresas do setor até 5 de outubro.

Os clubes, por outro lado, vêm alertando para os impactos econômicos da decisão sobre contratos de patrocínio e planejamento financeiro.

REUNIÃO PODE COMEÇAR ESVAZIADA

A eventual ausência dos grandes clubes cria um problema prático para o próprio objetivo declarado pelo governo.

Se a intenção da reunião é medir exatamente quanto o futebol perderá com o encerramento das bets, a ausência de algumas das equipes que mantêm contratos relevantes com empresas do setor reduz a representatividade do encontro.

Isso não impede o governo de obter dados diretamente dos clubes, da CBF, das federações ou por outros mecanismos, mas poderá exigir novas rodadas de negociação.

A reunião desta terça-feira será, portanto, um primeiro teste da relação entre governo, clubes e entidades esportivas depois de uma decisão que altera significativamente um mercado que se tornou um dos maiores financiadores publicitários do futebol brasileiro.

E há uma pergunta central que deverá acompanhar toda essa discussão:

quem deverá absorver o impacto financeiro dos contratos interrompidos os próprios clubes, as empresas, o mercado publicitário ou haverá alguma participação do poder público por meio de crédito ou outro mecanismo?

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Fonte: O Globo, ge, UOL/Estadão Conteúdo e declarações do Ministério da Fazenda.

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